Acaso Cultural
#13 | Perfil gastronômico | Miniconto inédito | 7 autoras imperdíveis em 2025
Abre-alas#13
Continua a contagem regressiva para a reinauguração de nossa sede, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Durante as próximas edições da newsletter, vamos divulgando os detalhes, datas e programação completa do que vem por aí.
Entre as novidades, em breve as comunidades artísticas, acadêmicas e o público em geral terão à disposição um espaço multiuso para eventos e espetáculos, com capacidade de até 100 lugares; além do restaurante Nonô, um lugar de boa comida a serviço de novos encontros e descobertas.
Começamos esta edição da newsletter conversando justamente com Jorge Heleno, o chef residente do Nonô, para conhecer algumas das histórias por trás do cardápio do restaurante e da trajetória do profissional que irá executá-lo diariamente.
No clima de grandes novidades que a inauguração pede, contamos ainda com a colaboração do coordenador de Livros da Acaso, Pedro Sasse (PS), autor premiado dos romances Sonhos de vidro em sombras de concreto e Necrológico, que topou o desafio de criar um miniconto especialmente para a newsletter. O resultado você confere mais abaixo, com o reflexivo Atelofobia.
Participa também desta edição a pesquisadora, crítica literária e professora de literatura brasileira contemporânea da UFF Stefania Chiarelli (SC), com uma seleção de leituras entre os lançamentos editoriais do primeiro semestre de 2025 no país: 7 livros sob o recorte da autoria feminina; um para cada mês, de janeiro a julho.
Uma edição especial para marcar a nova era em que está prestes a entrar a Acaso Cultural. Com a sede renovada e gana de arte e cultura para todo mundo, todo dia, vamos ver se juntos a gente não chega aonde quiser.
Boa leitura!
Alexis Parrott - Editor e redator ✅
Como se faz um chef
A trajetória e histórias do chef Jorge Heleno, responsável pelo cardápio do Nonô, o novo restaurante in-house da sede da Acaso Cultural

No livro autobiográfico Cozinha confidencial, o chef de cozinha e fenômeno midiático Anthony Bourdain (1956-2018) questiona a certa altura o porquê de ter dedicado a vida a um ofício que o deixou com mãos e pés em petição de miséria, a saúde física e mental debilitadas e a obrigação de lidar o tempo todo com gente - segundo ele, uma entidade misteriosa e que ainda o deixava confuso após décadas de trabalho. Mais que fazer a comida em si, algo que adorava, o que lhe dava satisfação mesmo era a reação que obtinha ao colocar um prato recém preparado à mesa, diante de quem iria comer:
É um olhar de espanto: o mesmo que a gente vê no rosto de uma criança pequena quando o pai a leva mais para o fundo na praia, e é sempre bonito de se ver. Por uns poucos momentos, ou mesmo um segundo, aquela expressão contraída de cínico velho de guerra em que todos nós nos transformamos desaparece, diante de algo tão simples quanto um prato de comida. Quando nos lembramos de que foi isso que nos levou a seguir essa estrada, no princípio de tudo.
Me lembrei imediatamente deste trecho das memórias de Bourdain quando ouvi do chef Jorge Heleno que o prazer em servir foi uma questão primordial para escolher a cozinha como profissão. Nesse espírito, é ele que irá comandar os fornos e fogões do Nonô, novo restaurante que se prepara para abrir as portas em setembro, na sede da Acaso Cultural, em Botafogo.
O Nonô é fruto da parceria entre a Acaso e o Noelia’s, bistrô tipicamente francês e referência em Niterói na combinação de comida quente com pães de fermentação natural, batizado em homenagem à filha do político fluminense Norival de Freitas (1883-1969). Tendo vivido na Paris dos anos 1930 a infância e adolescência, Noelia soube transmitir à família a paixão pela cultura francesa, especialmente pela gastronomia. Desse legado de Demoiselle Noelia aos descendentes nasceu o bistrô, empreendimento familiar no melhor sentido do termo, em funcionamento desde 2021.
O avental do chef Jorge Heleno vai mudar de endereço. Para se dedicar exclusivamente à nova missão, o niteroiense de 28 anos e 12 de profissão irá atravessar a ponte diariamente, passando a prestar consultoria ao Noelia’s sempre que necessário. Mas mudanças de CEP não assustam o jovem cozinheiro. Da terra de Arariboia, foi levado para a terra do pai e passou os 4 primeiros anos de vida em Natal, no Rio Grande do Norte. As raízes nordestinas fazem parte do seu cabedal de referências: “eu tento criar algo no sentido mediterrâneo, mas com uma pegada da minha origem. Em uma nova receita, às vezes eu vou usar o melaço, que é um ingrediente nordestino. E aí vou fazer a receita com técnicas francesas; eu tento dar essa miscigenação dentro da minha cozinha”, explica o chef.
Quando foi que você se deu conta, que deu o clique desse seu interesse por cozinhar?
Chef Jorge Heleno: Sempre consegui ter uma pequena intimidade ali com a cozinha, desde o início. Minha avó sempre cozinhou muito... Parece clichê, mas normalmente as pessoas têm essa história parecida, porque a cozinha é afeto, né? É uma coisa que vem de casa. Então, desde o início ali, com minha avó, fui crescendo querendo mexer no fogão, querendo mexer com faca, querendo fazer receita. E na escola onde estudei tive aulas de cozinha prática, sempre tive essa base. Mas o que me incentivou mais, como profissão, foi no terceiro ano do ensino médio, já sabendo que ia ser pai. Comecei a fazer sanduíches, cuscuz para vender no colégio e tal.
A partir daí, como foram os primeiros passos para a profissionalização?
CJH: Minha mãe tem um amigo, que é o Rodrigo Kossatz, um chefe reconhecido que já teve restaurante no Rio e agora está em São Paulo (à frente do Mèa, em Pinheiros). Ele foi o cara, literalmente, que me ensinou a cozinhar. Foi o cara que... Ele me disse: “vem aqui para o restaurante Brasserie Cidade Nova. Porque não é Masterchef. Masterchef é glamour. Aqui você vai lavar a louça, vai lavar o chão, para ver se é isso mesmo que você quer.” Desde o momento que eu entrei dentro da cozinha foi amor à primeira vista. Ele me ensinou, eu não sabia segurar na faca, não sabia fazer nada direito, não sabia técnica. Logo depois de um ano, eu entrei na faculdade de gastronomia.
Pode-se dizer que você fez o estágio antes de começar a faculdade. E no exterior, você tem alguma experiência?
CJH: Tenho vontade, já tive 2 propostas para ir para Portugal, mas ainda não aconteceu. O fato de ter uma filha pequena pesa nessa decisão. Fui pai cedo, a Ana Lua, que hoje tem 10 anos, foi uma dessas surpresas maravilhosas que acontecem na vida. Eu não fui para fora, mas a maioria dos chefs de cozinha com que eu trabalhei, são chefs internacionais. O Rodrigo teve formação na Itália, trabalhou lá e no Uruguai. A Zela Brum (da Cozinha da Zela, em Niterói) também, com quem trabalhei durante um bom tempo, passou muito tempo na Itália e na França. Por mais que eu não tenha ido para fora ainda, tive a sorte de crescer a partir da experiência dessas pessoas.
Além das panelas e aventais, desde aqueles sanduíches vendidos na escola, você tem um perfil de empreendedor também.
CJH: Sim. Na quarentena eu comecei a fazer pães de fermentação natural em casa mesmo. Inicialmente, foi mais para me ocupar. Ia dando de presente para alguns amigos, e eles elogiando, gostando. Quando vi, estava fazendo pão, focaccia, antepastos, pastinhas… Naquele momento de dificuldade de trabalho, de tudo, saí vendendo por toda Niterói. Eu já conhecia o Mateus Cabral da época da faculdade e o pai dele, o Marcio, virou meu cliente. Logo em seguida eles decidiram investir em um negócio, e aí surgiu o Noelia’s, até com a vontade de criar novas oportunidades de emprego naquele momento. Hoje eu tenho também o Foca Club, um serviço de delivery de sanduíches na focaccia. É uma sociedade bem azeitada. O Leonardo Latini cuida do marketing; o Bernardo Magalhães - que também conheci como cliente - fica por conta de toda a parte de administração e operação do negócio, e eu na cozinha. E não dá para não citar minha companheira, a Marina, a maior incentivadora, sempre do meu lado e se desdobrando para me apoiar em qualquer situação.
Como funciona para você o processo de criação de uma nova receita? O que te inspira para criar um prato? Por onde você começa? Você tem um método?
CJH: Eu tenho muita facilidade com o sensorial. Se você falar morango com chantilly, vai vir um gosto na minha boca sem eu precisar estar comendo. Eu tenho essa facilidade de ir num restaurante e identificar o que o cara botou ali, naquele prato. Tento experimentar muita coisa, mesmo que eu não goste, para buscar ingredientes novos, sempre experimentando muita coisa. Além do sensorial, eu gosto muito de rabiscar um pouco antes, de ir ali no papel e desenhar, ver como é que ficaria a estética do prato. Faço as possíveis combinações, faço todo o desenho do prato para ver se aquilo foi uma grande viagem da minha cabeça ou não. Então, primeiro é o sensorial, jogar o prato no papel e depois executar.
E o que podemos esperar do cardápio do Nonô?
CJH: O menu tem que ter liga, um tema, não pode ser uma coisa aleatória. A gente escolheu a comida mediterrânea, trabalhar com terra e mar. Então, no nosso cardápio vai ter pratos de carne, parrilla, e pratos de frutos do mar, com algumas opções surf and turf, juntando esses dois elementos. Me sinto muito à vontade trabalhando com comida mediterrânea e essa escolha abre um leque muito grande, que pode incluir até a panificação.
O Nonô está na reta final, antes da abertura. Qual é o sentimento? É igual ao ator quando vai entrar no palco para estrear uma peça? Qual é o maior desafio de um novo empreendimento?
CJH: Hoje em dia eu estou mais acostumado, aprendi a lidar com esse estilo de pressão. Mas, óbvio, isso é normal. A gente vai ficar nervoso, vai ficar ansioso, né? Estamos terminando a fase de testes para na hora da operação estar tudo perfeito. O mais importante será sempre o fator humano. Toda equipe é fundamental, preciso da confiança e feedback constante de todos. Terei ao meu lado, como segundo chef, o Charles de Jesus, colega de bancada na faculdade que havia me indicado para o trabalho do Noelia’s. O maior desafio é o cliente. Gosto de ir às mesas, perguntar se o serviço está legal, se a experiência está boa; e o público gosta também dessa relação, saber que na casa tem um chefe de cozinha. Vem tudo junto, a resposta do cliente motiva muito e só aumenta o prazer em servir. (AP)✅
O Nonô abre as portas em setembro, na sede da Acaso Cultural, na Rua Vicente de Sousa 16, Botafogo, no Rio de Janeiro.
Ficção - miniconto
Atelofobia
No dia 16 de setembro de 1995, seu José sente novamente uma pressão no peito. Tem 62 anos. Ainda não se acostumou a ser velho. Não se sente velho. Não como o pai, que aos 60, já sem dentes, era motivo de troça pelos netos da família. Seu José tinha dentes. Cabelo. Humor. Percebia, claro, os movimentos sorrateiros da idade, deixando seus rastros pela pele cada vez mais marcada. E as dores, como a do peito, que surgiam fulminantes e o deixavam humilde por alguns minutos até que se convencia que não era velho o bastante para temê-las ainda. Seu José apoia a gaiola com o Curió na mesa. O pássaro não canta. Entre voos curtos e leves, observa conforme a respiração do dono se torna curta. Depois intensa. Entrecortada. Os músculos tensos da face. Seu José tenta gritar. Mas o que lhe sai é só um pouco da alma. Vai vazando enquanto suas pupilas buscam nos olhos negros do curió um sentido qualquer pra vida.
Essa é a expressão em que o encontro no dia 17 de setembro de 1995, às 10h30 da manhã. Eu ainda sou uma criança puxada a contragosto pelo meu pai, num desses domingos de almoços em família, cheio de amenidades, em que se buscam criar as memórias que vão ser invocadas anos mais tarde, diante de um caixão ou ainda depois, com uma caixa de fotos antigas redescoberta na ocasião de uma mudança. Quando entramos na sala, o curió permanecia em silêncio. Meu pai larga minha mão. Mexe no corpo. Sente o frio da pele. O cheiro dos restos. Grita palavras que não me alcançam. Posso apenas notar aquele quadro interrompido: meio sanduíche sobre a mesa. Um bloquinho perto do telefone com o número de um eletricista, um recibo da lotérica, um recorte de revista sobre tratamento para queda de cabelos. Nesse dia, eu passei a temer que, diferente dos filmes, a vida terminasse assim, sem conclusão, numa interrupção brusca, desaguando vestígios na vida de outros, como meu pai e meus tios, que, dias mais tarde, discutiriam sobre quem arcaria com o enterro e como contariam o ocorrido à minha vó.
No dia 16 de setembro de 2025 eu falo pra dona Mariana que faz 30 anos que o ex-marido dela morreu. Ela pisca devagar. Seus lábios dizem algo no idioma solipsista dos muito idosos. Não chega a desviar o olhar da televisão. Tenho a impressão que meu filho jamais a viu em outro lugar ou posição. Como se ela fosse uma extensão do móvel. E os dois uma extensão daquele quarto amarelado. Diferente de Seu José, dona Mariana atravessou o avançar dos anos sem ser abatida nem por resfriados. Vez ou outra lhe dava um acesso de choros que acabavam curados com um copinho de vinho tinto, como faziam as mulheres de sua família desde que viviam em terras distantes pra lá do oceano. Já tinha mais de 90 e o laudo era sempre igual: dona Mariana tinha saúde de ferro. Mesmo assim, eu notei, e talvez só eu tenha notado, quem sabe por lembrar do sanduíche, do bloquinho, e do recibo da lotérica, que, há alguns anos ela havia abandonado, pela metade, o tricô de uma touca para o meu filho. Um pouco antes ou depois, não queria mais ser deslocada até as festas da família no fim do ano. Preferia que lhe trouxessem umas rabanadas e um gole de vinho. Depois, nem isso. Notei que, na sua mesa de cabeceira, ficara também um bloquinho e, nele, o telefone de algumas parentes distantes. Um livro do Paulo Coelho criava uma camada respeitável de poeira. Ali perdi o medo das mortes súbitas: mesmo que o tempo seja suficiente para escrevermos nosso fim, a vida parece resistir a conclusões. Se a morte não nos atravessa cedo, talvez acabemos por morrer aos poucos. Em vez de filme, a vida se torna uma dessas séries que, de tão longa, resolvemos abandonar, ou deixar de ruído de fundo enquanto tiramos um longo cochilo. (PS)✅
Acaso indica: 7 autoras imperdíveis
Entre os lançamentos de 2025, a literatura de autoria feminina ganha destaque
Han Kang - Sem despedidas
(tradução de Natália T. M. Okabayashi / Todavia)
A vencedora do Nobel de Literatura de 2024 elabora sua obra a partir de imagens poéticas de grande força. Um pesadelo recorrente é o ponto de partida para narrar a jornada da personagem Kyung-ha, que conta em primeira pessoa uma história de amizade e a necessidade de dar nome e forma a um massacre acontecido em 1948 na Coreia do Sul.
Micheliny Verunschk - Depois do trovão
(Companhia das Letras)
A autora pernambucana revisita o episódio histórico da Guerra dos Bárbaros, no século XVII, relatando o extermínio dos povos originários a partir da perspectiva do mestiço Auati. Verunschk trabalha com a linguagem de forma inventiva, explorando a oralidade de uma prosa que mergulha na dimensão linguística da cultura sertaneja.
Lina Meruane - Tornar-se Palestina
(tradução de Mariana Sanchez / Relicário)
Ao falar de uma Palestina em pedaços e de territórios ocupados, a escritora chilena pensa língua, identidade e pertencimento neste precioso e necessário ensaio que já circulava no Brasil desde 2019. Relançada este ano, a edição conta com um texto adicional do escritor Milton Hatoum.
Fernanda Teixeira Ribeiro - Cantagalo
(Todavia)
Com alma de folhetim, a estreia da autora mineira surpreende pela maturidade técnica, ao narrar a história de uma família mineira a partir do cafezal Cantagalo, fincado nas práticas da pós-abolição. Destaque para a viúva Praxedes, personagem construído com complexidade e talento.
Samanta Schweblin - O bom mal
(tradução de Livia Deorsola / Fósforo)
A escritora argentina, como em outros de seus ótimos livros, visita o insólito nessa coletânea de seis contos inéditos. Com mão segura, nos conduz para uma zona de incômodo, em que o desconforto vem da sugestão, nunca da obviedade, em personagens cuja construção transita entre o bem e o mal (e às vezes tudo ao mesmo tempo).
Lilia Guerra - Perifobia
(Todavia)
O conjunto de 26 histórias da autora paulistana, que estava fora de circulação, foi relançado este ano. As narrativas relatam o duro cotidiano de personagens (em sua maioria, mulheres negras) que vivem nas bordas das grandes cidades, em periferias vivenciadas a partir de um ponto de vista de leveza e humor.
Alba de Céspedes - Na voz dela
(tradução de Joana Angélica d’Ávila Melo / Companhia das Letras)
O romanção da escritora italiana, cuja obra voltou a circular há pouco tempo no Brasil, vale cada linha. Dona de uma prosa límpida, a autora relata a trajetória de Alessandra, jovem romana em meio à ascensão do fascismo na Itália dos anos 1950, sondando a subjetividade da protagonista-narradora de forma sensível. (SC)✅
Campanha de financiamento coletivo Acaso
Contra a especulação imobiliária e o descaso, volta a soar a voz de um gigante literário na defesa do patrimônio histórico e arquitetônico das cidades. A Editora Acaso Cultural prepara a publicação do manifesto de Victor Hugo lançado em 1832 (porém, mais atual do que nunca), Guerra aos Demolidores (Guerre aux Démolisseurs) - pela primeira vez em tradução completa para o português e edição bilíngue.
É preciso dizê-lo e dizê-lo alto, esta demolição da velha França, que várias vezes denunciamos sob a Restauração, continua com mais teimosia e barbárie que nunca. Desde a Revolução de Julho, com a democracia, certas ignorância e brutalidade transbordaram. Em muitos lugares, o poder local, a influência municipal, a curadoria comunal, passou dos fidalgos que não sabiam escrever aos camponeses que não sabem ler. Descemos um degrau. Esperando que essas bravas pessoas saibam soletrar, eles governam.
O volume é traduzido e organizado pelo escritor recifense Diogo Santiago, formado em Ciências da Educação e em Literatura Moderna pela Universidade de Lyon, na França.
Conheça mais sobre o livro e participe do projeto✅
Rápidas e rasteiras
Apesar de totalmente ambientada no Rio, Vale tudo ignora o jeito de falar dos cariocas. Um dos poucos com sotaque é o boa praça Poliana - mas não por acaso. A exemplo do que já havia feito em Todas as mulheres do mundo (Globoplay, 2020), em que emulava gestual e prosódia de Domingos de Oliveira, Matheus Nachtergaele agora se inspira nas entonações e ritmos marcantes do estilo de atuação do carioquíssimo Pedro Paulo Rangel (1948-2022), intérprete do personagem na primeira versão da novela. Nas mãos hábeis de Nachtergaele, o que poderia resvalar em imitação se tornou trunfo. O resultado é um Poliana evocativo, mas outro; forjado igual na diferença para cimentar o merecido tributo ao seu criador original. (AP)✅
A eleição de Milton Hatoum para a Academia Brasileira de Letras significa mais um passo em direção à renovação e representatividade que a instituição vem buscando nos últimos anos. Escritor sólido, intelectual engajado e primeiro manauara a se tornar imortal, seria de esperar que sua votação fosse unânime. Mas não. Houve um voto contrário, mostrando que nem a imortalidade está livre de desavenças, desafetos - ou ciúmes? (AP)✅








Na contagem regressiva! Saudades da Acaso, que temos reencontrado em belas promessas aqui na NL. Falta pouco!